“Elas São Revolução” is an interdisciplinary project created to mark the 50th anniversary of the 25th of April — a reflection on its legacy and the ongoing fight for women’s rights and gender equality.
Through visual narratives and a literary voice, it brings together women whose stories and paths reflect both individual strength and a collective legacy that continues to shape Portuguese society.
Elas são revolução.
Lançaram remoques, enquanto cultivavam os campos, mas só colheram
resistência de punhos cerrados.
Escutaram preces de "uma hora pequena" e, quando a hora chegou, foram
abandonadas. Outras morreram sozinhas, tentando resolver algo que geraram
acompanhadas.
Escreveram livros, falaram de prazeres ocultos e da condição feminina - tão parca, tão rasa...
Foram censuradas, presas e julgadas.
Pediram a paz, o pão e a habitação.
Cobriram-se de coragem, encheram os pulmões, disseram: "não!"
Nós conseguimos ir à escola e, em salas cheias de homens que não nos
querem ouvir, ainda temos de gritar.
Somos assertivas, incisivas e vocais.
Chamam-nos cabras, histéricas e mal amadas.
Dizem que não somos donas do nosso útero porque nos querem donas de casa.
Mas nós finalmente votámos e vimos os nossos direitos consagrados.
Dizem-nos que são caprichos reversíveis, em colóquios malfadados.
Ainda não perceberam: nós nunca vamos baixar os braços.
Elas não são esqueletos no nosso armário, são os ossos da nossa história.
Nós somos netas de todas elas.
Elas são revolução.
E nós também.
Author: Isabel Viana